SÃO GASPAR BERTONI
12 de junho
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Ir. Domingos Valzacchi

 

    Domingos Valzacchi foi o primeiro Irmão estigmatino a chegar ao Brasil.

    Nasceu em Artegna aos 07 de abril de 1868.

    Quando jovem estudou no seminário diocesano. Entrou para a Congregação com mais de 30 anos em Verona aos 08 de junho de 1900. Dizia que parou de estudar por causa do jejum obrigatório, pois em cada quaresma, devido ao jejum, esquecia o que conseguira aprender anteriormente.

    Fez o noviciado em Verona em 1900, a primeira profissão em Trento aos18 de novembro de 1901, e a profissão perpétua em Verona no ano de 1905.

    Tomou parte na primeira expedição estigmatina para o Brasil, que zarpou de Trieste na noite de 9 de novembro de 1910.

    A morte tirou-o do convívio dos padres e dos irmãos a quem tanto amava na tarde dum belo dia do mês de Maria, 17 maio de 1945, com 44 anos de vida religiosa. Faleceu em Casa Branca onde foi sepultado. Em 1985 seus ossos foram removidos pra o jazigo dos estigmatinos em Campinas.

    No cargo de sacristão, que exerceu por quase toda a vida, mostrava seu amor à igreja, mantendo-a sempre limpa e o altar bem cuidado. À noite, quando fechava a igreja, permanecia sozinho, por quase uma hora, em adoração ao Santíssimo Sacramento.

    Em qualquer momento livre do dia, achava-se ele aos pés do sacrário, seu lugar predileto para a oração. Foi um verdadeiro modelo de Irmão Estigmatino, imbuído de zelo, de piedade e de amor à Congregação.

    Muito ativo, tinha sempre um trabalho manual para fazer. Levantava-se muito cedo com o pretexto de limpar a frente da igreja. Gostava de rachar lenha, cuidar da horta e dos animais.

    Era de caráter forte, severo, áspero, bondoso. Piedoso e trabalhador. Muito simples. Espirituoso e de grande disponibilidade. Muito bom para viver em comunidade. Pureza e simplicidade admiráveis.

    Gostava de ler "Missioni Breviate", "Massime eterne", "Imitação de Cristo" (que - diziam - sabia quase de cor). Conhecia bem a Sagrada Escritura, gostando sempre de citá-la, em suas conversas. Conhecia com profundidade o Catecismo da Igreja. Muitas vezes, quando interrogado, corrigia os sermões dos padres.

    Sua vida foi um trabalho contínuo. Aproveitava de tudo para ser prestativo a todos. Transformava o inútil e o estragado em objetos úteis e aproveitáveis.

    Trabalhou com verdadeiro zelo missionário em Tibagi, estado do Paraná, onde passou a maior parte de sua vida como irmão piedoso e dedicado companheiro do Pe. Ferrúcio Zanetti em viagens apostólicas, entre os caboclos e índios dos sertões paranaenses.

    Quando a casa de Castro foi fechada, Ir. Roberto foi o encarregado de encaixotar os livros e outros objetos. Ir. Domingos comentou:`

    - "O mais importante para mim ele deixou lá: as minhas ferramentas".

    De fato, tinha extraordinária habilidade com elas.

    Cultivou um grande amor à virtude da pobreza. Considerava uma falta encontrar um simples pedaço de metal jogado pelo chão.

 

    Até o fabricante de velas reclamava dele, pois nada sobrava. Ir. Domingos colocava sempre um pedaço no alto da vela e dizia:

    - "Ainda vai servir para uma ou duas missas".

    Os Irmãos em seu tempo não usavam batina. Foi muito difícil convencê-lo a ir ao alfaiate para fazer um terceiro terno, pois ele achava que dois eram suficientes.

    Era muito caseiro e dificilmente saía. Convidado por Pe. Alexandre a passear em São Caetano, respondeu:

- "Se for para ficar lá, eu vou; mas se for para ir e voltar, eu fico aqui mesmo!"

    Sabendo disso Pe. Alexandre e Pe. Ferrúcio Zanetti iam visitá-lo todos os anos e ficavam recordando os primeiros tempos de Brasil. Ele sempre chamava Pe. Ferrúcio de mentiroso devido aos exageros dos seus contos.

    Em Sales de Oliveira, por causa da guerra, passou-se a usar um cavalo para a visita às capelas. Ao voltar de uma viagem, Pe. Luís Eccli resolveu cuidar, ele mesmo, do animal. Ir. Domingos perguntou-lhe:

    - "Sabe dar banho em cavalos"?

    Como Pe. Luís já houvesse cuidado de automóvel e achasse que tudo era a mesma coisa, respondeu:

    - "Sei".

    Terminado tudo e tendo entrado em casa, Ir. Domingos, sorrindo, levou-o a uma janela e disse: "

    - “Veja lá o que aconteceu!”

    O cavalo estava ensaboado e deitado no chão. Então ele comentou:

    - “Quando se lava um cavalo deve-se amarrá-lo com cabresto curto. O senhor aprendeu o Dominus Vobiscum, mas não quer dizer que por causa disto sabe tudo!"

    Quando renunciou à herança aos sobrinhos, estes não lhe escreveram nunca mais. Comentou:

    - “Quem quiser receber cartas deve conservar a propriedade até o fim da vida".

    Desprendido dos bens da família, recebeu, em certa época, uma carta dos irmãos consultando-o sobre a herança. Ele respondeu:

    - “Vocês têm Moisés e os Profetas. Nem que um morto ressuscitasse resolveria o problema. Eu estou morto. Resolvam vocês".

    Devido ao fato de que ele não usasse batina na paróquia de São Caetano, em1933, era crença geral de que Pe. João Consolaro fosse um filho muito querido de Ir. Domingos. Crença que, talvez, originou-se da chegada contemporânea dos dois à cidade. Ir. Domingos, pouco lisonjeado, protestava que "o Abade Pemenes jamais gerou filhos". Contudo, de vez em quando se ouviam certas perguntas, como a que lhe foi feita, num domingo, por um velho vêneto:

    - “O vigário que pregou agora é seu filho?”

    Para acabar com o equívoco, pensou-se em celebrar missa solene com ofício fúnebre ao pai verdadeiro, falecido há muitos anos.

    Ir. Valzacchi Pe. Grigolli, Pe. Adami, figuras características, marcantes e diferentes, são para nós hoje os missionários que lançaram a semente e os alicerces das comunidades estigmatinas espalhadas pela América Latina.

    Quem percorre com os atuais meios de transporte o caminho apostólico que eles trilharam e medita sobre as incômodas peripécias de suas experiências missionárias, fica admirado e enternecido pelo amor que dedicaram à nossa pátria.

    Ao se aproximar a comemoração do centenário de sua chegada ao Brasil, nós o agradecemos de coração, partilhando com ele o maravilhoso crescimento que a Congregação vem tendo na América Latina.