SÃO GASPAR BERTONI
12 de junho
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Ir. Domingos
Valzacchi
Domingos
Valzacchi foi o primeiro Irmão estigmatino a chegar ao Brasil.
Nasceu
em Artegna aos 07 de abril de 1868.
Quando
jovem estudou no seminário diocesano. Entrou para a Congregação
com mais de 30 anos em Verona aos 08 de junho de 1900. Dizia que parou de
estudar por causa do jejum obrigatório, pois em cada quaresma, devido ao
jejum, esquecia o que conseguira aprender anteriormente.
Fez
o noviciado em Verona em
Tomou
parte na primeira expedição estigmatina para o Brasil, que zarpou
de Trieste na noite de 9 de novembro de 1910.
A
morte tirou-o do convívio dos padres e dos irmãos a quem tanto
amava na tarde dum belo dia do mês de Maria, 17 maio de 1945, com 44 anos
de vida religiosa. Faleceu
No
cargo de sacristão, que exerceu por quase toda a vida, mostrava seu amor
à igreja, mantendo-a sempre limpa e o altar bem cuidado. À noite,
quando fechava a igreja, permanecia sozinho, por quase uma hora, em
adoração ao Santíssimo Sacramento.
Em
qualquer momento livre do dia, achava-se ele aos pés do sacrário,
seu lugar predileto para a oração. Foi um verdadeiro modelo de
Irmão Estigmatino, imbuído de zelo, de piedade e de amor à
Congregação.
Muito
ativo, tinha sempre um trabalho manual para fazer. Levantava-se muito cedo com
o pretexto de limpar a frente da igreja. Gostava de rachar lenha, cuidar da
horta e dos animais.
Era
de caráter forte, severo, áspero, bondoso. Piedoso e trabalhador.
Muito simples. Espirituoso e de grande disponibilidade. Muito bom para viver
Gostava
de ler "Missioni Breviate", "Massime eterne",
"Imitação de Cristo" (que - diziam - sabia quase de
cor). Conhecia bem a Sagrada Escritura, gostando sempre de citá-la, em
suas conversas. Conhecia com profundidade o Catecismo da Igreja. Muitas vezes, quando
interrogado, corrigia os sermões dos padres.
Sua
vida foi um trabalho contínuo. Aproveitava de tudo para ser prestativo a
todos. Transformava o inútil e o estragado em objetos úteis e aproveitáveis.
Trabalhou
com verdadeiro zelo missionário em Tibagi, estado do Paraná, onde
passou a maior parte de sua vida como irmão piedoso e dedicado
companheiro do Pe. Ferrúcio Zanetti em viagens apostólicas, entre
os caboclos e índios dos sertões paranaenses.
Quando
a casa de Castro foi fechada, Ir. Roberto foi o encarregado de encaixotar os
livros e outros objetos. Ir. Domingos comentou:`
-
"O mais importante para mim ele deixou lá: as minhas
ferramentas".
De
fato, tinha extraordinária habilidade com elas.
Cultivou
um grande amor à virtude da pobreza. Considerava uma falta encontrar um
simples pedaço de metal jogado pelo chão.
Até
o fabricante de velas reclamava dele, pois nada sobrava. Ir. Domingos colocava
sempre um pedaço no alto da vela e dizia:
-
"Ainda vai servir para uma ou duas missas".
Os
Irmãos em seu tempo não usavam batina. Foi muito difícil
convencê-lo a ir ao alfaiate para fazer um terceiro terno, pois ele
achava que dois eram suficientes.
Era
muito caseiro e dificilmente saía. Convidado por Pe. Alexandre a passear
- "Se for para ficar lá, eu vou;
mas se for para ir e voltar, eu fico aqui mesmo!"
Sabendo
disso Pe. Alexandre e Pe. Ferrúcio Zanetti iam visitá-lo todos os
anos e ficavam recordando os primeiros tempos de Brasil. Ele sempre chamava Pe.
Ferrúcio de mentiroso devido aos exageros dos seus contos.
Em
Sales de Oliveira, por causa da guerra, passou-se a usar um cavalo para a
visita às capelas. Ao voltar de uma viagem, Pe. Luís Eccli
resolveu cuidar, ele mesmo, do animal. Ir. Domingos perguntou-lhe:
-
"Sabe dar banho em cavalos"?
Como
Pe. Luís já houvesse cuidado de automóvel e achasse que
tudo era a mesma coisa, respondeu:
-
"Sei".
Terminado
tudo e tendo entrado em casa, Ir. Domingos, sorrindo, levou-o a uma janela e disse:
"
-
“Veja lá o que aconteceu!”
O
cavalo estava ensaboado e deitado no chão. Então ele comentou:
-
“Quando se lava um cavalo deve-se amarrá-lo com cabresto curto. O
senhor aprendeu o Dominus Vobiscum, mas não quer dizer que por causa
disto sabe tudo!"
Quando
renunciou à herança aos sobrinhos, estes não lhe
escreveram nunca mais. Comentou:
-
“Quem quiser receber cartas deve conservar a propriedade até o fim
da vida".
Desprendido
dos bens da família, recebeu, em certa época, uma carta dos irmãos
consultando-o sobre a herança. Ele respondeu:
-
“Vocês têm Moisés e os Profetas. Nem que um morto
ressuscitasse resolveria o problema. Eu estou morto. Resolvam vocês".
Devido
ao fato de que ele não usasse batina na paróquia de São
Caetano, em1933, era crença geral de que Pe. João Consolaro fosse
um filho muito querido de Ir. Domingos. Crença que, talvez, originou-se
da chegada contemporânea dos dois à cidade. Ir. Domingos, pouco
lisonjeado, protestava que "o Abade Pemenes jamais gerou filhos".
Contudo, de vez em quando se ouviam certas perguntas, como a que lhe foi feita,
num domingo, por um velho vêneto:
-
“O vigário que pregou agora é seu filho?”
Para
acabar com o equívoco, pensou-se em celebrar missa solene com ofício
fúnebre ao pai verdadeiro, falecido há muitos anos.
Ir.
Valzacchi Pe. Grigolli, Pe. Adami, figuras características, marcantes e
diferentes, são para nós hoje os missionários que
lançaram a semente e os alicerces das comunidades estigmatinas
espalhadas pela América Latina.
Quem
percorre com os atuais meios de transporte o caminho apostólico que eles
trilharam e medita sobre as incômodas peripécias de suas
experiências missionárias, fica admirado e enternecido pelo amor
que dedicaram à nossa pátria.
Ao
se aproximar a comemoração do centenário de sua chegada ao
Brasil, nós o agradecemos de coração, partilhando com ele
o maravilhoso crescimento que a Congregação vem tendo na
América Latina.
